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José Serra é entrevistado pelo Jornal da Globo

quarta-feira, 1 de setembro de 2010 by Unknown | 0 comentários

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, foi entrevistado na edição desta terça-feira (31) do Jornal da Globo pelos apresentadores William Waack e Christiane Pelajo. A candidata Dilma Rousseff (PT) foi ouvida na edição de segunda-feira (30), e Marina Silva (PV) estará na de quarta (1º). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio. A entrevista tem duração de 20 minutos e foi dividida em dois blocos. Veja abaixo a íntegra de cada bloco, em vídeo, e leia a transcrição das perguntas e respostas.

Christiane Pelajo: Boa noite, candidato. Seja bem-vindo.
William Waack: Boa noite.
Christiane Pelajo: O senhor colocou as esperanças, suas esperanças eleitorais no início da propaganda na TV. Foi quando a vantagem da sua adversária aumentou. O que que deu errado, candidato?
José Serra: Olha, pesquisa é uma coisa que fotografa o momento, fotografa um instante, não é um filme, né? A campanha eleitoral de verdade está acelerando agora porque nós estamos no último mês de campanha de fato. É aí que as pessoas vão fazer a sua cabeça. Pesquisa é fotografia do instante como em outros instantes eu estava na frente, outros instantes estava atrás. O fundamental agora é trabalhar para mostrar para as pessoas quais são as nossas propostas, as nossas ideias pro Brasil. E eu estou muito confiante, Christiane, porque eu... Já é a minha nona campanha. Eu nunca vi pessoas na rua tão afetivas, tão engajadas, tão esperançosas de que a gente possa vencer e eu estou confiante em que isso vai acontecer.
William Waack: Parece que essas pessoas às quais o senhor se refere estão mais confiantes que aliás muitos dos seus colegas de coligação. Muitos não têm aparecido com o senhor na campanha. O que que está acontecendo?
José Serra: Não, olha, qualquer lugar que eu vá no Brasil inteiro sempre tem um pessoal que está batalhando ao meu lado. Isso é no Brasil inteiro. Cada um está fazendo sua campanha...
William Waack: Eu digo candidatos a governador. Alguns, parece que preferiram aparecer sozinhos, sem fazer menção à sua candidatura.
José Serra: Não, olha, inclusive, não é permitido a um candidato a governador, a um candidato ao senador, ao Senado, promover uma candidatura nacional. Você tem o risco de perder o tempo de televisão por um equívoco dessa natureza. É muito limitado o que candidatos locais podem fazer, em função, na TV, no horário eleitoral, em função da campanha nacional.
Christiane Pelajo: Alguns analistas dizem que a campanha do senhor nem parece de oposição. O senhor chegou a colocar uma foto sua ao lado do presidente Lula, exibir isso na televisão. Qual é, afinal, a bandeira da oposição?
José Serra: Não, não teve nada a ver com coisa de ser oposição. O que dizia lá era outra coisa. É que o Lula tinha uma história como eu, como outros, e que a Dilma não tinha essa história, era uma pessoa desconhecida - não tinha disputado eleição, não tinha uma história realmente conhecida, não era uma pessoa conhecida, experimentada na política como é o Lula, como sou eu. Foi só isso, isso está longe de ser qualquer espécie de agrado, é apenas uma constatação.
Christiane Pelajo: Mas por que então, candidato, os partidos de oposição - DEM e PSDB – hesitaram tanto em fazer oposição?
José Serra: Porque o Lula, veja, uma coisa é o que se fez quanto no Congresso. É que o PSDB tem um estilo que não é o de jogar no quanto pior, melhor, quando está na oposição. Trabalha pelo Brasil. Se tem alguma coisa do governo que presta, o partido apoia, não faz aquela oposição, sabe, de terra arrasada. Isso não é feito. Logo, às vezes isso é confundido com suavidade na oposição. Na verdade, a oposição não pode jogar contra o Brasil. Quem tinha experiência do quanto pior melhor é o PT. O PT não permitiu votar a favor de Tancredo Neves quando ele se elegeu, não homologou ou, vamos dizer assim, foi contra a atual Constituição, foi contra o Plano Real, foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, votou contra o Fundef, que era mais dinheiro pras... para a educação nas regiões mais pobres do Brasil. Enfim, votou contra tudo na linha do quanto pior melhor quando era oposição. O PSDB no governo do PT não fez a mesma coisa...
William Waack: Candidato...
José Serra: Então isso às vezes é confundido com tibieza, com fraqueza da oposição. Não, é espírito público.
William Waack: Candidato, é evidente que nós estamos discutindo aqui as suas táticas eleitorais.
José Serra: Uhum....
William Waack: As três primeiras perguntas foram em relação a isso. Aparentemente ela não está funcionando. Isso que o senhor disse de suavidade e tibieza aparentemente é o que está sendo passado para o público...
José Serra: Não, não da campanha. Eu estava dizendo suavidade e tibieza porque ela falou do PSDB no governo, durante o governo, nos anos anteriores. Agora nós estamos...
William Waack: Ela falou em fazer oposição...
José Serra: Agora nós estamos em uma campanha eleitoral. A campanha eleitoral, para mim, não é algo para você ficar estrebuchando, para ficar, sabe, espumando. É para ir apresentando, pouco a pouco, as ideias. É apresentar aquilo que foi feito, sem mistificação, porque as coisas que estão apresentando que eu fiz, eu fiz de verdade. No caso, por exemplo, da candidata do PT, atribuem a ela coisas, inclusive, que ela não tem nada a ver, porque é uma coisa que está sendo construída. É ir mostrando... E eu tenho plena confiança de que essa campanha na TV, mais outras coisas, porque campanha não se resume a televisão, vai nos levar, William, a uma virada e à vitória. Eu estou convencido disso, sinceramente, e eu raciocínio nesses termos.
William Waack: Eu tenho mais uma pergunta sobre problemas na sua campanha. No inquérito do Mensalão do DEM de Brasília, por exemplo. A Polícia Federal...
José Serra: Olha, William...
William Waack: Posso, só posso completar a pergunta?
José Serra: Sim.
William Waack: A Polícia Federal chama o ex-governador de chefe de uma organização criminosa. Ele pertenceu ao DEM, um partido tradicionalmente aliado ao PSDB, como todas as pessoas interessadas em política sabem. Nós podemos assumir que isso prejudicou a sua campanha?
José Serra: Eu acho que não. Mas de... Já que você tocou no assunto criminoso, deixa eu tocar noutro assunto. Hoje veio a público um fato criminoso. Qual foi? O sigilo fiscal da minha filha foi quebrado num ato criminoso, no ano passado, para efeito de exploração política. Até porque blogs sujos da campanha do PT, que eles usam muito isso, já estavam pondo dados do ano passado. Não porque tenha algum problema, ela é ficha limpa, não tinha problema nenhum, mas eles começaram a pôr já naquela época. Ela até me disse: "olha, eu acho que devem ter andado espionando os meus dados, porque aí são só coisas que estão no Imposto de Renda", perfeitamente declarado, não houve... nunca caiu na malha nem nada parecido. Então este é um ato criminoso. Já há vários que tiveram seus sigilos quebrados para efeito político-eleitoral. E outros terão sido por outros motivos. Mas neste caso é claríssimo. E é um jogo, ao meu ver, sujo, é um jogo baixo. Aliás, utilizar filho dos outros para ganhar eleição eu só me lembrava do Collor ter feito isso com o Lula, lembra? O Collor utilizou uma filha do Lula, a turma do Collor montou essa história para ganhar do Lula em 89. E o Collor ganhou. Agora a turma da Dilma está fazendo a mesma coisa, pegando milha filha, que não faz política, que é uma mãe de três crianças pequenas, que trabalha muito para criar as crianças juntas, para poder viver... Meter nesse jogo político sujo para me chantagear porque tem preocupação quanto à minha vitória. Eu não tenho nenhuma... nenhum problema nesse sentido. A Dilma, aliás, está repetindo aquilo que o Collor fez e mais, agora o Collor está do lado dela. Quem sabe talvez ele tenha transferido a tecnologia.
William Waack: Candidato, a Receita está dizendo em Brasília que essa quebra de sigilo foi feita a pedido da sua filha...
José Serra: É mentira, mentira descarada. Mentira descarada. E agora, você sabe, esse pessoal mente, eles são profissionais da mentira. Então são profissionais da mentira. Eles já... Mentem e dizem qualquer coisa. Tem que provar isso.
Christiane Pelajo: Candidato, vamos voltar à pergunta anterior do William...
José Serra: Vamos voltar...
Christiane Pelajo: Sobre o mensalão do DEM...
José Serra: Mas eu, eu... Eu achei importante fazer esse esclarecimento, porque esse assunto está circulando, entrou assunto de criminoso... Criminosos são esses que estão usando a campanha, estão usando questões, atacando família, para efeito de colher dividendos eleitorais. Inútil, inútil. Porque estão trabalhando em cima de gente ficha limpa. Mas esses gestos são criminosos. Se eles fazem isso na campanha eleitoral da Dilma, imagina o que vão fazer se ganharem as eleições. Imagina o que fariam se ganhassem. Ainda bem que a minha expectativa é de eu ganhar.
Christiane Pelajo: Em relação ao mensalão do DEM, a pergunta que eu fiz para o senhor?
José Serra: Olha, o mensalão do DEM teve menos volume de toda maneira do que o mensalão do PT, menos gente. Segundo, teve uma diferença: o pessoal do mensalão foi expulso. É... o mensalão do DEM... foram todos mandados embora do DEM. No caso do PT, continuam mandando, como o José Dirceu. O José Dirceu é um dos comandantes da campanha da Dilma, cogitado inclusive para fazer parte do governo dela, e era o chefe... Aliás, de toda aquela quadrilha de 37, 38 pessoas que foram denunciadas pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal, ele era o chefe de tudo. E está aí, da mesma maneira que outros estão se candidatando, fazendo etc. Então foi, praticamente, só o Delúbio saiu depois de muito tempo. E, ainda, digamos assim, tem proximidade muito grande. No do DEM, pelo menos, foi todo mundo mandado embora e mais ainda, tinha um volume, um alcance, muito menor.
William Waack: Vamos seguir adiante com perguntas...
José Serra: Vamos.
William Waack:  Um pouco mais conceituais...
José Serra: Claro, vamos lá.
William Waack: Falamos bastante da política diária. Por exemplo, o governo do qual o senhor fez parte... Aliás, não só o governo federal, mas na... Está na tradição do PSDB uma, uma visão de privatização de, de... De ativos estatais que viraram alvo do PT. E sumiu da propaganda tucana. O PSDB hoje tem vergonha das privatizações?
José Serra: Não, é porque não tem privatização no caminho. Não tem privatização. A... O caso...
William Waack: Não tem nada mais para privatizar?
José Serra: Não. O caso mais bem sucedido de privatização no Brasil foi telecomunicações, que o Lula já elogiou, que a Dilma já elogiou, que todo mundo elogia. Porque uma coisa é quando eles fazem campanha e outras é quando estão trabalhando. Foi altamente elogiada. Não fosse aquilo que foi feito pelo governo Fernando Henrique, não teria tanto celular e tanto telefone no Brasil. Eu declarava, Imposto de Renda, o telefone no Imposto de Renda, porque era uma raridade, lembra? Valia uma fortuna.
Christiane Pelajo: Quer dizer, num eventual governo do senhor, o senhor não privatizaria nada?
José Serra: Aquela... Não tem o que privatizar no horizonte. Agora, o Lula, o governo Lula privatizou dois bancos mais. Não refez nada do que tinha antes. Eles usam isso como campanha eleitoral. Agora, eles fizeram um tipo de privatização. Sabe qual é? De entregar, por exemplo, os Correios, que era uma empresa eficiente, para grupos políticos que ficam lá montando negócios. É um escândalo atrás do outro. Ou seja, usam o correio para fins privados. Eu, no governo, vou usar o correio para fins públicos. Essa privatização que tem hoje no Brasil, ela é muito pior do que qualquer outra, porque você tem uma Petrobras, você entrega a diretoria disso, a diretoria daquilo, para tal político ou para tal grupo de políticos, né, que vão aproveitar a Petrobras ou para fazer negócios ou para favorecer os amigos e tudo mais. Isto se espalhou por toda a administração. Que que eu vou fazer? Eu vou desprivatizar, nesse sentido, toda a administração pública, inclusive as empresas. O que é público vai continuar público e não sendo usado por políticos num loteamento. Veja, isso aí não tem nada a ver...
William Waack: Posso... Posso pedir sua licença? É que nós estamos chegando na metade da entrevista e temos mais dez minutos logo depois do intervalo. Fique aqui conosco por favor, nós voltamos daqui a um instante. Até já.

2º bloco
Christiane Pelajo: A gente volta agora nossa entrevista com o candidato do PSDB, José Serra. Nós temos nove minutos a partir de agora, candidato. Candidato, o senhor diz que o câmbio – como está – com o dólar muito barato é prejudicial à economia porque as exportações brasileiras dessa forma perdem competitividade. Mas como é possível fazer isso sem mexer no câmbio flutuante e livre, que é uma conquista que deve ser preservada?
José Serra: Sem dúvida nenhuma. Eu acho que é uma conquista que deve ser preservada. Agora, tem o seguinte, hoje, do jeito que tá, nós não conseguimos vender lá fora e mais ainda: a produção no Brasil vai sofrendo uma concorrência absolutamente injusta. Por exemplo, calçados, por exemplo, têxtil. Até indústria de colheitadeiras. Outro dia eu fui no Rio Grande do Sul, num município que produz, né, colheitadeiras. Agora estão entrando os chineses. E nós somos muito mais eficientes. Por quê? Por causa desse mecanismo torto da relação câmbio-juros. Agora, a causa disso são os juros siderais. Nós temos, continuamos com a maior taxa de juros do mundo. E, ao contrário do que a Dilma disse aqui ontem, aumentando a distância em relação ao resto do mundo, ao resto do mundo, e não convergindo como ela disse, que é um absurdo completo. Isso é falta de informação. Agora, aí o que que acontece? O câmbio muito alto provoca - porque entra dólar pra especulação, porque paga muito - que o câmbio artificialmente fique irreal. Resultado: em vez do turista ir pro Nordeste, ele vai pra Miami, que é mais barato. Em vez do, do... de a gente comprar brinquedo aqui, você compra brinquedo chinês. E várias outras coisas. Isso cria empregos noutros lugares, e não no Brasil. Eu vou mudar isso. Eu não vou mudar no, no tapa...
William Waack: Via juro?
José Serra: No susto... Com o quê? Formando uma equipe econômica entrosada, em vez de ficar cada um atirando pra um lado, entre Banco Central, Fazenda, Planejamento, que vão trabalhar direito tendo como meta uma política de juros e cambial que seja mais condizente com o que a gente quer, que é o emprego no Brasil e o crescimento sustentado. Porque essa outra política está levando a um déficit externo crescente. Nós estamos com um déficit vertiginoso - o maior da história do Brasil –, não tem reflexo a curto prazo, mas pode ter no ano que vem, no outro, no outro. Então, a gente tem que enfrentar isso com conhecimento, com cuidado, com paciência e com determinação.

William Waack: Candidato, o senhor tem sido uma voz crítica em relação a políticas econômicas do governo. Agora, quando foi a hora de mandar um programa de governo e registrá-lo no TSE, o senhor mandou trechos de discursos. Afinal qual é o seu plano...

José Serra: É, não foram trechos. Foram os discursos completos. Por quê? Porque o meu discurso não foi uma peça de propaganda. Lá está tudo o que eu considerei como as diretrizes fundamentais. Foi o discurso de introdução à candidatura e o discurso da convenção, que eu mesmo, pessoalmente, trabalhei vários dias. Lá es... tem, está a essência de tudo aquilo que a gente quer pro Brasil. Isso foi mandado pra Justiça Eleitoral. De lá pra cá, nós estamos trabalhando na internet, com reuniões por todo Brasil, recolhendo milhares e milhares de opiniões, de sugestões e vamos apresentar o detalhamento, como eu fiz quando fui eleito prefeito, quando eu fui eleito governador, com os pontos do programa... Vários eu já tenho apresentado, por exemplo, criar um milhão de vagas novas no ensino técnico no Brasil, fa... Cento e cinquenta e tantos ambulatórios médicos de especialidades, que são policlínicas. Tudo isso vai aparecer direitinho como propostas tópicas para cada ponto etc.

William Waack: O senhor me permite insistir nesse ponto...

José Serra: Agora, tudo isso eu já tinha dito e anunciado que iria fazer nos meus discursos, que são peças de programa de governo, e também no horário eleitoral e nas minhas dezenas de entrevistas, inclusive a esta emissora.

William Waack: Deixa eu voltar a esse ponto e amarrar essas duas perguntas, candidato.

José Serra: Sim.

William Waack: O senhor fala nos juros e isso todo mundo sabe. O senhor fala na piora das contas externas e o próprio governo admite. Agora...

José Serra: Admite mas não na... Na campanha eleitoral...

William Waack: Onde... O que é direito dele, até.
José Serra: Sim.
William Waack: Onde o senhor vai atacar? Quer dizer, o que todo mundo espera de um candidato Serra é um grau forte de intervencionismo na economia.

José Serra: Olha, o que deve se esperar de mim é uma atitude favorável à produção. À produção e ao emprego. Eu não vou ser contra nada. Eu vou ser a favor disso e vou trabalhar nessa direção. Eu, aliás, você sabe, eu sou economista, eu não sou médico - e muita gente pensa que eu sou médico porque fui ministro da Saúde – sei, entendo bastante de política econômica. No meu período de exílio, convivi em vários países, até assessorando, fazendo. Já ocupei cargos aqui no Brasil nessa área. No Congresso, durante um tempo, eu era talvez o parlamentar ligado, mais ligado à economia que tinha em todo o Congresso Nacional. Na Constituinte, fiz muita coisa nessa direção. Então é um assunto que eu tenho toda a informação, que eu sei trabalhar e vou trabalhar de maneira a que a gente possa manter o nosso crescimento, e inclusive acelerar, com vistas ao aumento do emprego, que é a questão fundamental. E o empresário que gera emprego, empresário que gera emprego também vai ganhar pra que possa ficar reinvestindo. Isso é fundamental. Agora, o Brasil tem três coisas perversas: a maior taxa de juros real do mundo – que não tem motivo pra isso. Segundo: a maior carga de impostos do mundo em desenvolvimento. Nenhum país em desenvolvimento cobra tanto imposto quanto o Brasil. Eu fui nesta semana, no dia lá que o impostômetro mostrou 800 bilhões de reais arrecadados até 31 de agosto. É muito dinheiro. Os brasileiros trabalham cinco meses do ano só pra pagar imposto. Nós temos a maior carga. Isso tem que diminuir ao longo do tempo até pra que a gente possa ter produção e emprego. E o terceiro aspecto é que a taxa de investimento governamental, ou seja, aquilo que o governo investe, em estradas, nisso, naquilo, é uma das mais baixas do mundo, era a penúltima do mundo. Só o Turcomenistão estava pior do que o Brasil.
Christiane Pelajo: Candidato...
José Serra: Você assistindo a televisão, propaganda, entrevista às vezes de gente do governo tende a pensar o contrário. Mas é um país que está sem investimentos nessa área, por isso que as coisas andam muito devagar.

Christiane Pelajo: Candidato, a gente queria...

José Serra: Nos estados em alguns lugares andou depressa porque os governadores – como foi o caso de São Paulo – trabalharam bem.
Christiane Pelajo: A gente queria abordar um outro tema. O senhor tem acusado o governo de países vizinhos de cumplicidade com o tráfico. Caso o senhor seja eleito, o senhor vai fazer o que com relação a esses países?

José Serra: Eu vou pressioná-los. É o caso da Bolívia. Diplomaticamente, ninguém vai intervir na Bolívia nem nada parecido. Mas o Brasil tem feito muitas coisas boas para a Bolívia, né? Deixou a Bolívia pegar a refinaria da Petrobras, tá fazendo uma estrada agora. Enfim, o Brasil ajuda a Bolívia. Eu acho que é normal um país, diplomaticamente, pressionar o outro para que procure impedir a exportação ilegal, contrabando de cocaína para o Brasil. Estima-se que, de 50% a 80% - dá na mesma, porque é tanto, é como cair do 50º ou do 80º andar. É muita cocaína. Ela vem da Bolívia. Eu acho que tem... É impossível que o governo boliviano não seja cúmplice disso, entende? Porque está se fazendo no seu território. Então é legítimo que o Brasil pressione. Uma coisa é ideologia, se são simpáticos ao governo boliviano, se o PT gosta etc., e outra coisa é o interesse nacional. No caso, o interesse da segurança da população, porque a droga leva ao crime e arruína a vida do jovem sob a forma do crack. Agora, isso não elimina também o nosso papel, que é de fazer... combater o contrabando, ocupando as nossas fronteiras que neste momento não estão ocupadas.

William Waack: Candidato, olhando para o relógio, eu acho que a gente tem tempo para mais uma pergunta. E o senhor se referiu ao crack. Cracolândia, São Paulo, o senhor teve...

José Serra: Não é só São Paulo. Cracolândia tem em todo Brasil.

William Waack: Tem, mas a Cracolândia de São Paulo é um símbolo. É um símbolo que o senhor tentou acabar, como prefeito e governador. Foi difícil e não deu certo. O que falhou?

José Serra: Não, não é que não deu certo. Melhorou. Agora, você não pode, você não pode encarcerar um drogado. Quer dizer, você... Às vezes você vai num lugar e o pessoal que está já viciado na droga continua indo. Você tem que combater o traficante. Pela lei, você não pode prender um drogado. Agora, pra droga, tem muito a fazer. Tem que parar a entrada de droga no Brasil. Ela caiu, William, 50% de preço desde mil... desde os anos 80. Perdão, 50 vezes e não 50%. Ela virou de graça, porque entra à vontade no Brasil pela fronteira. Segundo, tem que combater por dentro, na fronteira, e os traficantes. Terceiro tem que fazer campanha educacional na nossa juventude, em todas as escolas, em tudo. Quarto, tem que tratar os dependentes químicos...

William Waack: Mas não está faltando justamente isso?

José Serra: Eu tratei, nós começamos, eu comecei como governador uma experiência diferente no Brasil de criar clínicas próprias para tratamento de dependentes químicos, coisa que o PT e o governo, o Ministério da Saúde, não são a favor, porque acham que não pode criar uma clínica para tratamento etc. Isso funcionou muito bem.

William Waack: Desculpa interrompê-lo. É que nosso tempo está acabando. O senhor concluiu, pelo menos, o seu raciocínio?

José Serra: Construí.
William Waack: Tá. Muito obrigado pela entrevista.
José Serra: Muito obrigado, William. Muito obrigado a vocês dois.
Cristiane Pelajo: Obrigada e boa noite.
José Serra: Muito bom para mim vir aqui dar esta entrevista.

William Waack: Obrigado.

Cristiane Pelajo: Obrigada.


Curriculo da Dilma

sexta-feira, 27 de agosto de 2010 by Unknown | 0 comentários


O transporte público vai ter prioridade

quarta-feira, 25 de agosto de 2010 by Unknown | 0 comentários
José Serra aposta no transporte coletivo. Investiu R$ 23 bilhões num amplo programa de expansão do Metrô paulistano e modernização da CPTM, a companhia de trens metropolitanos. É o maior valor já destinado no país para ampliar e modernizar o sistema de transporte coletivo.

No final do ano, o governo do estado, concluindo o trabalho impulsionado por Serra, cumprirá a meta de entregar à população a primeira fase do Plano de Expansão do Transporte Metropolitano, destinado a aperfeiçoar a eficiência e a qualidade dos serviços de transporte público em São Paulo, Campinas e Baixada Santista.

Nas visitas que fez recentemente a Belo Horizonte, Goiânia e Porto Alegre disse que na Presidência da República ampliará linhas atuais ou construirá metrô para melhorar o sistema de transporte e a qualidade de vida dos trabalhadores. No Rio de Janeiro, onde realizou caminhada em Bangu, após uma viagem de trem de 40 minutos, disse que a melhor opção é transformar trens urbanos em metrô.

Em São Paulo, o programa "Expansão SP" beneficiará 20 milhões de pessoas com a redução de 25% do tempo médio das viagens e aumento de 55% do número de passageiros do Metrô e CPTM. Quando sua primeira etapa estiver concluída, no final de 2010, a rede sobre trilhos com qualidade de metrô terá passado de 60 km no início de 2007 (hoje já são 66 km) para 240 quilômetros.  


Além de aumentar e melhorar a rede de transporte, o "Expansão SP" está gerando 40 mil empregos diretos e outros milhares de indiretos. Por se tratar de um plano de desenvolvimento integrado, favorece a circulação das pessoas por meio do transporte público, estimulando a abertura de novas frentes de comércio, empregos e renda.



Lula: “Metrô é coisa de rico que quer rua para o carro”

Na contramão do que administradores e urbanistas fazem em todo o mundo – a substituição parcial do carro pelo transporte coletivo – o presidente Lula acredita que o automóvel deve predominar. Durante assinatura de contratos para implementação de obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, ele pontificou: “Eu quero que os pobres também tenham carros. Então, nós, prefeitos e governadores, temos que construir mais ruas”.

Admitiu, mais adiante, que “temos que fazer metrô, temos que fazer o trem, mas temos que parar com essa ilusão de que fazendo metrô vai tirar o apetite de um pobre ter um carro. Aqueles que pensam isso têm o seu próprio carro. Eles querem que os pobres deixem a rua livre para eles”, afirmou, levantando aplausos de operários que trabalham no complexo, e lotaram o espaço preparado para o evento.

Nos países desenvolvidos, principalmente em cidades com trânsito saturado, como São Paulo, a questão transporte coletivo x transporte individual deixou de ser uma questão de ricos ou pobres há muito tempo. O transporte coletivo – principalmente o metrô – combinado com medidas que desestimulam a circulação de carros particulares nos grandes centros tem grandes três virtudes.

Reduz a poluição causada pelos motores movidos a derivados de petróleo, barateia o deslocamento das pessoas para o trabalho e prepara a transição para um sociedade movida a combustível de origem renovável. Aliás, o etanol, um desses combustíveis, era considerado prioritário pelo governo até a descoberta do pré-sal, recurso natural que só vai render frutos daqui a dez anos, e a um custo financeiro e ambiental altíssimo.


Serra Presidente - Programa de 17/08

quinta-feira, 19 de agosto de 2010 by Unknown | 0 comentários


Sabatina com José Serra - Jornal Nacional - 11/08/2010

sábado, 14 de agosto de 2010 by Unknown | 0 comentários


Serra, Marina e Plínio defendem suas propostas em evento em São Paulo

terça-feira, 10 de agosto de 2010 by Unknown | 0 comentários




Plínio, Serra e Marina participaram de evento da ACSPPlínio, Serra e Marina participaram de sabatina em São Paulo (Fotos: Nelson Antoine/Foto Arena/AE)

Plínio, Serra e Marina privilegiaram temas diferentes em suas exposições. O candidato do PSOL defendeu sua postulação como forma de promoção da igualdade social e negou que o partido vá incentivar, caso chegue ao poder, uma “ruptura socialista" imediata. “Não há condição imediata para uma ruptura socialista, mas há condições de tomar medidas drásticas para quebrar a dinâmica da desigualdade”, disse.Os candidatos Plínio de  Arruda Sampaio (PSOL), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) participaram na tarde desta segunda-feira (9), na capital paulista, de sabatina promovida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp) e Associação Comercial de São Paulo. Em participações separadas, os três fizeram uma exposição de 20 minutos e responderam a perguntas de convidados e da plateia. Dilma Rousseff (PT) desmarcou a participação no evento nesta manhã.
Serra destacou aspectos políticos em sua exposição. Apontou loteamento partidário da máquina pública federal e defendeu propostas para a reforma na área, como voto distrital e a revisão da figura de suplente de senador. “Há uma recuperação [no governo Lula] das piores práticas políticas do passado. [...] O problema fundamental é a utilização da maquina federal para servir a interesse privados, sejam sindicais, partidários, de grupos ou pessoais”, afirmou.
A candidata do PV repassou os principais conceitos de sua plataforma de governo. Disse que o “avanço histórico” recente no Brasil não pode ser atribuído a um só governo ou partido. Defendeu "qualificação" dos impostos, ênfase em planejamento estratégico, aumento da produção via ganho de produtividade, alternativas para evitar o “desastre das mudanças climáticas” e educação de qualidade. “O Brasil reúne as melhores oportunidades para fazer uma inflexão em termos de modelo de desenvolvimento”, afirmou.
"Bolsa Família é um absurdo", diz socialista
Durante a rodada de perguntas, Plínio disse que irá limitar, caso eleito, o tempo de permanência no programa Bolsa Família. "O Bolsa Família é um absurdo. Tem sentido como programa emergencial. Estamos transformando as pessoas pobres numa clientela. Vou quadruplicar o Bolsa Família, mas reduzi-lo no tempo", disse.
O candidato do PSOL também defendeu entraves à entrada de produtos chineses no país ("Aqui chinês vai rebolar para entrar"), a proibição de importação de itens de luxo e a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no destino das mercadorias, e não mais na origem.
"Tenho grandes diferenças com Dilma sobre carga tributária", afirma SerraO candidato do PSDB reconheceu que o peso dos impostos no Brasil é excessivo e apontou discordâncias com Dilma sobre o tema. "Ela [Dilma] deu declaração dizendo que a carga tributária não é alta, é boa". Citou o programa da Nota Fiscal Paulista como meio de combate à sonegação e redução da tributação individual. "Temos que segurar a carga tributária quando a economia está crescendo", disse.
Serra afirmou que o governo federal demorou a reduzir os juros durante a crise mundial de 2008-09 e disse não ter fórmulas prontas para promover o emprego em setores específicos da população, como mulheres acima de 45 anos. "Se me perguntar fórmula, não tenho. Tenho disposição de enfrentar isso", afirmou o tucano, citando treinamento e qualificação profissional como alternativas.
Antes de infraestrutura física, infraestrutura humana, diz MarinaQuestionada sobre a necessidade de um "plano de emergência" no setor de infraestrutura no país, a candidata do PV disse que a prioridade deve ser a capacitação de pessoas. "Sem infraestrutura humana não vamos a lugar nenhum." Defendeu também "agilidade sem perda de qualidade" no licenciamento ambiental de grandes empreendimentos.
Marina disse que é preciso investir em saúde básica e prevenção para evitar sobrecarga em outras pontas do SUS (Sistema Único de Saúde), como os tratamentos especializados.  Sobre a transposição do rio São Francisco, disse que sua atuação à frente do ministério do Meio Ambiente na época do licenciamento da obra ajudou a introduzir importantes contrapontos ambientais ao empreendimento, como a desapropriação de propriedades nas margens e a revitalização do rio.


Estadão às vezes exagera postura reacionária

segunda-feira, 9 de agosto de 2010 by Unknown | 0 comentários



O espaço é o mesmo dos três lados, como não poderia deixar de ser, mas a abordagem… Não é nenhuma cobertura especial, mas três matérias apenas, no Estadão de domingo, 20. Uma dedicada a Dilma, outra a Serra e uma terceira a Marina, de meia página cada. Um perfil de cada um dos principais presidenciáveis, nas páginas A6, A7 e A8. O Estadão às vezes se perde, ultrapassa os limites. Marquei com vermelho o que entendi como uma abordagem negativa do pré-candidato. Em azul, positiva. Alguns comentários mostram o que acredito que a expressão queira traduzir.
Dilma aparece como uma completa descontrolada, autoritária. A matéria usa expressões bastante negativas para descrevê-la, como “aos berros” para a resposta que dava a críticas sofridas durante o governo, em discussões com colegas ou subordinados. Em alguns casos, o fato de cobrar trabalho a qualquer hora do dia é mostrado como falta de respeito, exigência exagerada. Em Serra, a mesma característica denota dedicação. Dilma é vista como autoritária, intransigente, instável, alguém que não respeita as outras pessoas, que humilha subordinados, não sabe conversar e ainda não está pronta para governar. Prepotente.
Serra tem alguns pontos negativos, mas que servem para melhorar seu caráter político. Sempre tem um “mas” quando é feita uma crítica ao ex-governador paulista. Críticas, aliás, sempre muito leves. É ríspido, mas não sem motivo. Transparente, eficiente, sensato, extremamente dedicado, respeitador. Uma crítica chega ao ponto de ser feita em comparação a Fernando Henrique. Ou seja, aquilo que Serra não tem de bom, não é por falta de qualidade no partido, já que FHC tem.
Sobre Marina, nem sim nem não. Ela tem qualidades e defeitos, embora estes sejam maiores que aquelas. Ela é mostrada como interesseira, autoritária, descuidada, intransigente. Não aceita que outros tomem decisões, quer agir sozinha. Mas é obstinada, controlada, serena. É simples, mas vaidosa, gosta de ser admirada. Uma certa falsidade na figura de Marina também é transmitida pelo texto. Mas o fato de ela ser uma pessoa simples e discreta é bastante ressaltado. E seu bom humor mostra seu caráter mais humano, aproxima Marina do leitor.
Resumindo, Dilma é retratada como uma desequilibrada. Serra é um homem trabalhador. A palavra que representa Marina é centralizadora (mas obstinada).


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